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AMD atinge receita de US$ 10,3 bi no 1º trimestre de 2026

A AMD anunciou nesta terça-feira (05), em Santa Clara, Califórnia, seus resultados financeiros referentes ao primeiro trimestre de 2026, registrando uma receita total de US$ 10,3 bilhões. O desempenho representa um crescimento de 38% em relação ao mesmo período do ano anterior, consolidando a divisão de Data Center como o principal motor financeiro da companhia devido à alta demanda global por infraestrutura de inteligência artificial (IA) e aceleradores de alto desempenho.

Data Center e o avanço da Inteligência Artificial

Pela primeira vez na trajetória recente da empresa, o segmento de Data Center superou significativamente as demais áreas, gerando US$ 5,8 bilhões em receita — um salto de 57% na comparação anual. Este aumento foi sustentado pelas vendas dos processadores AMD EPYC de 5ª geração e pela rampa de envios das GPUs AMD Instinct.

De acordo com a CEO da companhia, Dra. Lisa Su, o mercado de IA “agentic” e de inferência tem exigido uma escala de fornecimento sem precedentes. Entre os destaques estratégicos, a AMD confirmou uma colaboração com a Meta para a implementação de até 6 gigawatts de infraestrutura baseada em GPUs Instinct, incluindo versões customizadas da série MI450. Além disso, a empresa revelou que a próxima geração de CPUs EPYC, codinome “Venice” e “Verano”, já possui previsão de adoção por grandes provedores de nuvem como AWS, Google Cloud e Microsoft Azure.

Divisão de Games e Computação Pessoal

O setor de “Client and Gaming” registrou receita combinada de US$ 3,6 bilhões, um aumento de 23% ano a ano. Dentro desta categoria, o subsegmento de processadores para PC (Client) rendeu US$ 2,9 bilhões, impulsionado pela linha Ryzen e ganhos de participação de mercado em laptops e desktops premium. Um dos destaques técnicos mencionados foi o lançamento do Ryzen 9950X3D2 Dual Edition, que utiliza a tecnologia 3D V-Cache em ambos os blocos de núcleos para otimizar o desempenho em cargas de trabalho de desenvolvimento e criação.

Já a divisão de Gaming isolada apresentou uma receita de US$ 720 milhões, crescendo 11% em relação ao primeiro trimestre de 2025. O crescimento foi puxado pelas vendas de GPUs Radeon, embora o resultado tenha sido parcialmente freado por uma queda na receita de componentes semi-customizados — setor que engloba os chips para consoles domésticos, refletindo a maturidade do ciclo de vida das plataformas atuais.

Indicadores Financeiros e Expansão

No modelo contábil GAAP, a margem bruta da AMD fixou-se em 53%, com lucro líquido de US$ 1,4 bilhão e lucro diluído por ação de US$ 0,84. Sob a métrica não-GAAP, a margem subiu para 55%, com lucro líquido de US$ 2,3 bilhões. A diretora financeira (CFO), Jean Hu, destacou que a empresa alcançou um recorde trimestral de fluxo de caixa livre, permitindo investimentos contínuos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), que totalizaram US$ 2,39 bilhões no período.

O segmento de sistemas embarcados (Embedded) registrou US$ 873 milhões, com leve alta de 6%, refletindo a estabilização de mercados industriais e automotivos. A empresa também reforçou sua parceria com a Samsung para o fornecimento de memórias HBM4, essenciais para as futuras GPUs Instinct MI455X, garantindo a largura de banda necessária para modelos de linguagem de grande escala.

Perspectivas para o próximo trimestre

Para o segundo trimestre de 2026, a AMD projeta uma receita aproximada de US$ 11,2 bilhões, o que representaria um crescimento anual de 46%. A expectativa é baseada no aumento do fornecimento de servidores e na consolidação da linha Ryzen AI PRO 400, voltada para o mercado corporativo de PCs compatíveis com o ecossistema Copilot+.

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